Entrevista com o Luthier de Campinas, SP, William Jorge Machado.

Campinas, apesar de estar no interior do estado mais rico e desenvolvido do Brasil, é uma cidade de tradição musical que inicia com Carlos Gomes, seu filho ilustre passando por sua reconhecida orquestra sinfônica. Além disso dispõe de um amplo mercado musical dos gêneros mais variados.

Mas além da música e de tudo o que envolve esse mundo, há um profissional de suma importância, pelo fato de que a maioria dos músicos instrumentistas dependem dele para que possam se apresentar com qualidade. Estamos falando do Luthier.

William Jorge Machado
Luthier

Em Campinas, existe uma referência nesse ramo que é o William Machado, com quem nos encontramos e que gentilmente atendeu ao nosso pedido para uma entrevista e assim elucidar sobre essa carreira fascinante e que ainda é desconhecida por muitos. Fica aqui o nosso agradecimento ao William por nos ter atendido. Fizemos algumas perguntas a ele e esperamos que suas respostas sacie a sua, agora, curiosidade.

SBM: William, nos explique o que é a Lutheria.
William: – Lutheria é uma profissão muito antiga e que um grande número de pessoas ainda não conhecem. O ofício exige muita dedicação, paciência e conhecimento técnico.

Além de construir instrumentos, o luthier é responsável por realizar o reparo e regulagem dos mesmos. Se você é da área musical, com certeza, um dia ainda vai precisar dos serviços desse profissional.

SBM: Quais os conhecimentos necessários para um Luthier?  
William: – Além de especificamente conhecer o instrumento que trabalha e fazer os reparos, ainda se faz necessário noções de acústica, metalurgia, galvanoplastia, soldas e muita habilidade manual, sem isso todos os conhecimentos são apenas conhecimento sem aplicabilidade.

SBM: Existem cursos específicos?
William: – No Brasil o único curso oficial que existia era no Senai porém foi descontinuado, todavia há alguns Luthiers com muita experiência e conhecimento adquiridos no exterior, em fábricas de grandes marcas além de longa experiência na área e que oferecem cursos de formação livre, ou seja, não aprova e nem reprova, há também um técnico estrangeiro, Stefan Siemons, que tem formação específica na área adquirida na Alemanha, seu país de origem.

SBM: Como é o mercado para a Lutheria?
William: – O mercado é muito concorrido principalmente pelos chamados profissionais que fizeram curso de 1 semana e já se acham capazes de fazer  manutenção em instrumentos, situação que coloca em risco não somente o instrumento deixado pelo músico para manutenção mas a credibilidade do verdadeiro profissional.

Sem mencionar valores, há profissionais que oferecem seu serviço a preços que você pagaria em uma pizza com refrigerante, o que me faz pensar quem está enganando quem, quem acredita que está levando vantagem.

SBM: Como é a Lutheria no mundo?
William: – A Lutheria fora de nosso país também passa por problemas semelhantes, profissionais desqualificados e buscando vantagem, porém em muitos países, inclusive aqui na América do Sul, há cursos universitários, exemplo é a Venezuela e Chile.

Na Europa e EUA não é possível se estabelecer legalmente sem um certificado ou estar ligado a uma associação, o  que é bom para o profissional e para o músico e o mercado.

SBM: Você é músico?
William: – Meu instrumento de formação musical é o saxofone mas tive uma queda sem volta pelo contrabaixo acústico.

SBM: Quando identificou que a Lutheria seria o seu caminho?
William: – Em 2000 percebi que os músicos da banda que eu tocava, quando precisavam de reparos em seus instrumentos, iam para São Paulo, isso me chamou atenção fortemente.

SBM: Como foi seu início, William?
William: – Iniciei oficialmente em 2002 e hoje busco constantemente aperfeiçoar técnicas e rever conceitos.

SBM: Você se aprimora?  Busca por novas técnicas e materiais?
William: – Recentemente em fevereiro próximo passado, estive na Colômbia participando de um seminário internacional de Lutheria, foi o terceiro que participei em 5 anos.

SBM: Existem especialidades dentro da Lutheria?
William: – Luthiers tem várias áreas de atuação: madeiras, metais ou bocal, palhetas.

Há especialistas de baixo elétrico, guitarra, saxofone, flautas etc.
Você pode encontrar alguém que trabalhe apenas prestando serviço de acabamento para a família de instrumentos de bocal, por exemplo, ou que trabalhe apenas com flauta ou contrabaixo acústico.

SBM: Quais as suas especialidades?  
William: – Meu foco é em saxofone,  flauta e clarinete e apenas Reforma ou Restauro parcial, restauro completo que inclui banho, acabamento como por exemplo banho de prata, apenas para alguns instrumentos.

SBM: Músicos costumam cuidar de seus instrumentos?
William: – Em geral os músicos cuidam relativamente bem de seus instrumentos, ficando devendo apenas quanto a higienização periódica, procedimento muito importante para a preservação da saúde, uma vez que instrumentos musicais de sopro, tem a tendência a facilitar o desenvolvimento de fungos.

SBM: Qual a importância da manutenção do instrumento?
William: – Ao menos 1 vez ao ano seria muito importante uma revisão completa para o músico que toca de 2 a 3 horas por semana, porém caso o músico utilize seu instrumento por mais de 2 ou 3 horas semanais, a manutenção tem que acontecer em intervalo menor, ao menos a cada 6 meses, questão de saúde realmente.

Um instrumento regulado por um profissional qualificado, experiente, é garantia de execução fácil e segura.

Quando for fazer manutenção em seu instrumento, procure referências do técnico, procure saber quais materiais utiliza e desconfie fortemente de quem utiliza materiais de baixa qualidade como E.V.A. e cortiça aglomerada em partes muito importantes do instrumento, entre outras coisas.

SBM: Você julga que a música seja importante na formação de uma pessoa?
William: – Quanto a música, não há  filme de sucesso sem música, sem trilha sonora, a vida sem música é chata, vazia, monótona. Você pode até não gostar de vários estilos, mas de algum você gosta, aprecia.
Alguém que não gosta de música e crianças com certeza tem problemas e precisa de terapia.

SBM: William, queremos agradecer, mais uma vez por sua gentileza, deixando-lhe este espaço para algum comentário que julgue ser relevante e que não tratamos em nossas perguntas.
William: – O estudo da música traz além de prazer e relaxamento, bem estar, uma capacidade de concentração aumentada, foco, dedicação, raciocínio lógico e rápido.

“Faça música, estude música, incentive o estudo de música nas crianças, mas deixe elas escolherem o instrumento, é muito ruim alguém que quer tocar bateria aprender trombone.

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